Análise – The Medium

Release Date
28/01/2021
Desenvolvido por
Bloober Team
Publicado por
Bloober Team S.A.

A vida após a morte segue sendo um dos maiores mistérios da humanidade, questões que envolvem o pós-morte são palco para discussões entre filósofos, teólogos, neurocientistas e pesquisadores. Mas indo além do mistério, algumas religiões e credos acreditam que uma realidade paralela a nossa está acontecendo neste momento, como se nossa consciência pudesse conviver entre os vivos mesmo após a morte. Esse tipo de pensamento é bem comum, principalmente no Espiritismo, onde acredita-se que pessoas dotadas de um dom especial podem conversar e transmitir mensagens do além, essas pessoas são conhecidas como médiuns, e muitos recebem a missão de encaminhar almas perdidas para a luz.

The Medium parte dessa premissa (sem se apegar a determinada religião ou credo), onde a protagonista tem o poder de transitar por entre dois mundos paralelos de diversas maneiras, seja pela intuição, ou forçando um transe ou até mesmo atravessando espelhos, tudo em nome de um roteiro coeso que pode ser considerado um soft horror, mas que leva consigo uma excelente carga de mistério e uma atmosfera tenebrosa.

Corredores são muito comuns em The Medium

Um ode aos clássicos do CD-ROM

A primeira coisa que me chamou a atenção em The Medium, antes mesmo de sua atmosfera, foi a maneira como a personagem se move e o modelo de funcionamento de seu gameplay. Eu realmente fui transportado pra outra época. Os cenários em câmera fixa, a movimentação da personagem e a condução lenta do roteiro me remeteram logo a clássicos como Phantasmagoria e Alone in The Dark, claro que com muito mais arrojo de produção e com um roteiro muito mais maduro do que esses jogos antigos.

Esse sentimento de gameplay é uma característica forte do jogo e uma jogada ousada, já que vai na contramão da indústria, apostando em movimentos de câmera mais dinâmicos e funcionais como os jogos em primeiro pessoa ou com a câmera atrás do ombro do personagem. E apesar dessa ousadia, a Blobber se sai muito bem por apresentar ângulos fixo muito inspirados, que pouco atrapalham a condução do personagem.

Ainda sim, não é um modelo que se livra de críticas, The Medium é bastante limitado em seu gameplay, neste jogo o combate é praticamente inexistente, oferecendo ao jogador apenas algumas opções passivas de proteção em locais bem determinados, ou apelando pra fuga, que apesar de alguns momentos interessantes, não me impressionaram tanto assim, até por estar acostumado com fugas complexas e emocionantes de outros games, mais especificamente Resident Evil e The Last of Us.

O que será que existe atrás do espelho?

Muito além do além

Falando um pouquinho sobre o roteiro, The Medium se passa na Polônia, onde você controla Marianne, uma garota com o dom da mediunidade e recém enlutada pela morte do pai, juntos ambos tinham como negócio de família uma funerária (bem conveniente, rss). Por ironia da profissão, após a morte do pai, Marianne deve preparar o cadáver do pai para o enterro, uma situação por si só macabra, mas que piora após manifestações sobrenaturais começarem a acontecer no necrotério, e subitamente a Marianne recebe um misterioso telefonema de socorro vindo de um antigo resort abandonado durante o período da União Soviética, ela então, mesmo relutando, sente que deve ir até esse resort entender o que está acontecendo.

The Medium possui um roteiro muito bom, mesmo com alguns furos e algumas escorregadas narrativas, ainda sim os mistérios envolvendo o resort são suficientes pra prender a atenção do jogador até a sua conclusão macabra. O jogo não pega leve em envolver assassinatos, decepções amorosas, rancor e abusos em todas as faces dos personagens, te jogando em uma atmosfera densa em boa parte do game.

E o jogo não economiza nas referências, com momentos que remetem a Alice no País das Maravilhas, e também à Lovecraft, inspirações literárias e cinematográficas estão lá para olhos mais atentos, e deixam o universo do jogo ainda mais interessante.

Um destaque fica para os momentos com tela dividida, onde a observação das duas telas podem dar detalhes sobre o roteiro e tudo o que cerca o ambiente do hotel.

Tela dividida, mas não é multiplayer não…

Para quem não gosta de se perder

Parte interessante de The Medium está na condução do jogo, apesar das áreas do hotel serem grandes, o jogo não faz questão que você se perca nesse cenário, e meio que te conduz pelos corredores e andares de forma bem linear, os objetos que você precisa no jogo geralmente se encontram próximos de você, e os puzzles do jogo variam de muito fáceis a fáceis, dificilmente deixando pro jogador algum exercício de raciocínio mais complexo. Isso por um lado é bom, pois transforma a experiência de jogo mais acessível, mas jogadores acostumados com jogos nesse estilo podem se sentir bem subestimados, o nível de dificuldade do jogo é bem tranquilo e talvez você morra em alguns trechos, mas ainda sim dificilmente irá se frustrar com os desafios propostos do jogo, que inclusive possuem conquistas bem fáceis.

Gráficos com duas faces

Olha só, posso dizer de maneira um pouco sutil que The Medium não é realmente o jogo que nova geração que eu esperava. O jogo tem sim cenários muito bonitos, com bastante detalhes nas mobilhas e alguns efeitos de luz interessantes, ainda sim, é difícil entender como que esse jogo não foi lançado em gerações anteriores. Sim, eu entendo que a questão das telas divididas entre os dois mundos podem consumir bastante processamento, ainda sim, por rodar em 30 frames por segundo, eu acredito que com a devida otimização o jogo rodaria em máquinas mais antigas.

Outro ponto é que o jogo não esconde seu orçamento menos robusto, a protagonista não tem movimentos tão bons, são no geral bem robóticos, outro recurso que claramente indica uma economia de produção foi no uso de máscaras para os espíritos, que compõe a maioria dos personagens secundários. Eu posso até estar errado, mas pra mim ficou claro que o recurso das máscaras foi uma maneira de economizar na produção das cutscenes, já que personagens mascarados não precisam de sincronia labial, mas é claro, sejamos justos, foi uma maneira inteligente de maquiar a produção e seria desonesto da minha parte não entender que The Medium é um jogo de uma desenvolvedora Indie.

Ainda sim, vale notar que o jogo tem muita beleza, a dualidade das cenas é brilhante, com os cenários do mundo real e do mundo espiritual se comparando o tempo todo, é louvável ver que a Blobber teve o trabalho de renderizar praticamente todos os cenários duas vezes, deixando bem convincente os dois universos entrelaçados.

Já o resort onde se passa boa parte do game não é uma aula de game design, mas corresponde com cenários bem variados. A estética soviética é bem retratada nos móveis, nas construções e nos variados objetos que contam a história do local, deixando a ambientação do jogo interessante.

Vale lembrar também a excelente edição de som do game, que ganha vida com um bom headset em mãos, definitivamente eles tiveram o cuidado com a parte sonora.

Duras realidades que se cruzam

Afinal, vale a pena?

No final das contas, The Medium entrega o que eu realmente esperava dele, uma experiência satisfatória, com boa narrativa e ótimos momentos, mesmo ciente de que não é um jogo de alto orçamento.

Em um momento de entressafra de grandes lançamentos, The Medium é um sopro de novidade em uma geração que ainda engatinha, mas já mostra que o estúdio tem potencial pra surpreender em jogos futuros, espero que tenhamos uma fase de ouro de jogos com temáticas de horror, e se depender de estúdios como a Blobber Team, estamos bem.

 

Análise – The Medium
Conclusão
The Medium entrega uma experiência tensa e coesa do início ao fim. Um ótimo jogo de horror pra esquentar o começo de 2021.
Gráficos
7.5
Som
9
Jogabilidade
8
Diversão
8
Prós
Excelente atmosfera com ótima qualidade sonora
Narrativa coesa e instigante do princípio ao fim
Câmera fixa dá um toque de nostalgia
Contras
Jogabilidade muito limitada
Puzzles simplórios
8.1
BOM
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