Análise – The Long Journey Home

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O espaço, a fronteira final

O universo fascina a mente do ser humano a milhares de anos. Quem nunca se imaginou saindo da Terra e visitando outros planetas? quem nunca se questionou o que há além da nossa galáxia? será que existe vida fora da Terra? eu não sei vocês, mas este assunto sempre aguçou minha curiosidade, seja por meio de imagens da NASA, por filmes e principalmente pelos Jogos.

Falando especificamente dos jogos, já vivenciamos batalhas para defender nossa existência, enfrentamos situações adversas em prol da colonização de um novo planeta, fomos aos confins do universo em busca de recursos etc.

As cutscenes e imagens do espaço são o grande destaque do jogo.

Muitos jogos já exploraram este tema, desde o saudoso Space Quest (1986) da Sierra até mais recentemente No Man’s Sky da Hello Games. Aproveitando este nicho, a experiente Daedalic (Deponia) que já possui jogos com esta temática (Holy Potatoes! We’re in Space?!, A New Beginning – Final Cut) resolveu apostar suas fichas no estilo exploração com The Long Journey Home.

O começo de épica aventura, só que não

Logo de cara The Long Journey Home impressiona, principalmente pela trilha sonora que cria um ar de Interestelar, escolhendo sua nave, sua equipe, a plataforma de lançamento, tudo ótimo… até o lançamento!

Os problemas de The Long Journey Home começam já no lançamento, pois parece que a Daedalic tem total convicção que o jogador passou pela academia de pilotos da NASA. O jogo não é nada intuitivo, por muitas vezes é necessário descobrir a duras penas o que e como fazer.

Colocar a nave em órbita não é uma tarefa tão simples.

A sua nave não voa em linha reta, mas sim em órbitas elípticas do impulso inicial e pela força gravitacional dos planetas. Princípios como estilingue gravitacional e poço potencial serão utilizados exaustivamente afim do jogador (tentar) controlar a nave.

Vocês com certeza já devem ter visto aqueles filmes que mostram o centro de operações da NASA, com aqueles técnicos realizando centenas de cálculos etc, então você vai ter que fazer tudo aquilo em poucos segundos para, no minimo, evitar uma catástrofe da sua missão.

A vizinhança espacial e sua peculiaridades

Durante a sua longa jornada de volta para casa você fatalmente esbarrará com diversas raças alienígenas. Muitas delas são pacíficas, como tantas outras são hostis. Como o jogo não conta com legendas em português brasileiro será necessário muita leitura e atenção durante os diálogos afim de evitar um desentendimento com os alienígenas.

A diversidade e exótica vida alienígena deveriam, mas não chegam a empolgar

A maioria dos contatos são solicitações de missões e troca de mercadorias, porém grande parte das missões são uma grande furada, principalmente quando nosso expertise no controle da grande nave e principalmente do módulo lunar beiram o ridículo. Em mais de 20 missões com o módulo lunar eu não consegui sair do planeta sem ao menos danificar 40% da carcaça.

O ponto positivo fica pela diversidade de raças que o jogador irá encontrar durante o jogo. Muitos tem rixas entre eles e podem te ajudar a passar por uma galáxia mais facilmente em troca de uma simples vingança.

Uma tripulação selecionada, mas que não serve para nada

Como foi dito anteriormente, logo no início do jogo você precisa escolher quatro tripulantes para a sua jornada ao desconhecido. O engraçado é que o  jogo simplesmente não te diz qual é a real necessidade e utilidade de cada um deles. Suas aptidões, histórico e especialidades estão lá descritos, mas na realidade parece apenas um pretexto para compensar outros erros.

Você deve escolher quatro entre dez personagens disponíveis, tem a especialista em tecnologia que acompanha o projeto desde o começo, o milionário que financia o projeto e faz questão de participar da viajem, a astronauta veterana diagnosticada com uma doença em estado terminal etc.

Qual é a real utilidade de cada membro dentro da equipe? praticamente nenhuma

Porém todo este “lore” não serve para absolutamente nada, você pode levar o milionário e colocá-lo para pilotar o módulo lunar, sua habilidade será a mesma da astronauta veterana. O que realmente importa são os itens que eles carregam e podem salvá-lo, uma vez, em eventuais problemas durante a aventura.

A escolha da nave e do módulo lunar

Esta talvez sejam as escolhas mais importantes durante todo o jogo, mesmo que as naves aparentem ter um controle parecido o diferencial fica nas estruturas. São três tipos de naves e módulos, um possui algo a mais, outro algo a menos e outro balanceado.

A escolha da nave talvez seja a única escolha realmente importante antes de iniciar a aventura

Em meus testes o quesito controle, tanto da nave quanto do módulo, não teve muita diferença, todos eram igualmente difíceis. O que realmente faz a diferença é que os maiores possuem mais espaço para armazenamento dos materiais coletados nos planetas e missões.

A deriva no espaço

A premissa de The Long Journey Home pode ser clichê mas possui bons elementos que mantêm a atenção do jogador, principalmente a trilha sonora. A falha no salto temporal, que aparece no trailer do jogo, leva nossos quatro escolhidos a anos e anos luz da Terra, ficando a deriva no espaço, com a missão de explorar locais desconhecidos, realizando novos saltos temporais para voltar para casa.

Neste ponto é preciso reconhecer o esforço da Daedalic em entregar uma experiência única, com sistemas e situações gerados proceduralmente com êxito. Porém novamente, é uma agonia imensa controlar a nave dentro dos sistemas. O módulo é algo que, com muito treino, pode ser controlado, mas nunca de forma satisfatória e confortável.

É preciso muita prática para dominar o módulo lunar

Nisso podemos resumir a aventura não apenas em voltar para casa, mas principalmente em lutar constantemente com os controles, seja para entrar em órbita, pousar, extrair recursos dos planetas, amontoar materiais para manutenção da nave e combustível, etc tudo isso para realizar um novo salto e recomeçar o ciclo.

Boas ideias, mal executadas

The Long Journey Home parece ter buscado inspirações em diversos outros jogos, como por exemplo Homeworld, Mass Effect, No Man´s Sky etc, porém falha miseravelmente em tentar aproveitá-las. O grande objetivo de um jogo é divertir o jogador e não estressa-lo com mecânicas “realistas”.

Outro defeito crucial é a repetição, toda aquela impressão inicial sobre o desconhecido, a exploração, imprevisibilidade dos eventos não conseguem sustentar horas de jogo afim de alcançar o destino de sua expedição.

Os constantes saltos de sistema para sistema, coleta recursos e principalmente os encontros aleatórios com outras raças alienígenas que talvez pudessem ser o grande diferencial, acabam por ser meros coadjuvantes que não justificam o interesse na continuidade da grande jornada de volta para casa.

Agradecemos o pessoal da Daedalic que disponibilizaram uma cópia de avaliação para a análise.

The Long Journey Home está disponível para PC (Steam), Playstation 4 e Xbox One.

"Maniômetro"

GRÁFICOS7
SOM8
JOGABILIDADE5
DIVERSÃO6

Prós

  • Boa trilha sonora
  • Cutscenes e animações bem feitas
  • Modo história salva

Contras

  • Exaustivamente repetitivo
  • Controles super complicados
  • Mal uso da utilização dos personagens

Conclusão

6.5The Long Journey Home mostra tudo o que um jogo de exploração não deve fazer. Punitivo em excesso, seja nos controles, seja na utilização dos materiais ou qualquer outra função do jogo. A Daedalic, experiente como é, poderia ter sido menos ambiciosa e mais prática para agradar os jogadores.

Telmo Camargo
o autorTelmo Camargo
Xbox Mania
Amante de um bom Rock n' Roll, Videogame, Corridas e Hockey, sim HOCKEY, aquele que os caras patinam no gelo atrás da "bolinha". Ahhh sim agora também Pai e um pouco menos gamer porém com Fé que tudo vai melhorar \o/

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