Análise – Tetragon

Lançamento
02/04/2021
Desenvolvido por
Cafundo Estudio Criativo Eireli
Publicado por
Buka Entertainment Enterprises‬

Apesar do gênero não ser, normalmente, agraciado com o abraço do hype, títulos que envolvem resolver quebra-cabeças têm um lugar reservado no coração de quase todos os jogadores. Mesmo não sendo o preferido da maioria dos gamers, é quase certo que cada um de nós, desde jogadores casuais à hardcore, já dedicamos algum tempo para fechar títulos que desafiam os nossos cérebros.

Desenvolvido pelo estúdio brasileiro Cafundó, Tetragon é um puzzle game indie – como quase todos os títulos de maior destaque do gênero – com algum tempero de aventura e elementos narrativos. Através das dezenas de níveis, o jogo nos conta a história por trás de Tetragon ao mesmo tempo que nos desafia a resolver quebra-cabeças em um universo de beleza simples mas chamativa.

Mas em um gênero que tem uma base de fãs bastante fundamentada em títulos mais complexos, como Limbo e Inside, será que o jogo tupiniquim tem o que é necessário para se destacar? É o que veremos a seguir.

Contar histórias é uma arte que nem todos dominam

Tetragon conta a história de um pai que vai em busca do filho perdido. É uma premissa boa, de base sólida – uma vez que há diversas histórias parecidas para servir de referência – e que a possibilidade de encaixar em um puzzle game deixa a gente, no mínimo, intrigado, o que já é um forte atrativo.

O universo de Tetragon, apesar de fantástico, é muito aberto e pouco definido

Contudo, o título deixa a história muito aberta, sem detalhes de características importantes do enredo. Por exemplo: É notório que o jogo se passa em um local fantástico, mas não sabemos se é uma outra dimensão, magia, sonho e etc.

É claro que podemos lembrar que o clássico literário Alice no País das Maravilhas também não especifica o que é esse local maravilhoso que a protagonista conhece. Contudo, na obra literária nós temos definições claras de personagens: tanto a heroína, quanto os coadjuvantes ou a vilã tem personalidade e características próprias que se encaixam no mundo e dão personalidade aos mesmos.

Em Tetragon os personagens são muito vagos. Não dá pra entender a motivação dos poucos indivíduos existentes, nem o que são. Inclusive a personalidade, estranhamente  adulta, do garotinho, que fisicamente parece ter não mais do que 4 anos, é algo que incomoda mais do que ajuda a explicar a motivação da aventura.

Entretanto, há de se lembrar que um enredo mais trabalhado pode não ser o objetivo da equipe de desenvolvedores, uma vez que a maioria dos títulos do gênero, pouco explica o seu próprio mundo. Contudo, fica o lamento pela falta de algo na narrativa que poderia ter deixado o título mais interessante.

Estruturalmente, OK, mas…

Em Tetragon, em termos de ambientação e interface, nada incomoda ao mesmo tempo em que nada se destaca. Os gráficos são aprazíveis e até bonitos, mas não são deslumbrantes e são um tanto quanto genéricos.

A ambientação de Tetragon, apesar de bonita não tem nada que a faça se destacar

A música, tão impactante na tela de interface inicial, se torna desprezível dentro das horas de gameplay. Entenda que ao falar “desprezível” quero dizer que literalmente você pode jogar no mudo ou ouvindo qualquer outra coisa sem perder nada de imersão. Por outro lado, ela literalmente não prejudica o gameplay, uma vez que não é enjoativa e nem irritante.

Existe um problema dentro da interface, que apesar de mínimo, me incomodou em demasia, principalmente por ser um jogo nacional que são pequenos erros de português no texto. Na verdade o que houve – em poucas ocasiões – foi a ausência de uma letra ou outra.

Como dito, não é algo grande, mas me incomodou demais ver essa desatenção com a nossa língua sendo um jogo nacional. Contudo, como o enredo pode ser ignorado dentro das horas de gameplay, talvez não incomode mais ninguém.

…mecânicamente ruim

Certa vez li em uma entrevista que um bom jogo se baseia em 3 “C”s, Camera, Characters e Controls, Tetragon é até aceitável nos dois primeiros, mas falha no último. As mecânicas de interação com o cenário são inicialmente cansativas e se tornam irritantes em partes mais avançadas do game.

Controlar as diversas colunas em cada fase poder ser, além de enfadonho, irritante.

Jogar Tetragon é relativamente simples: O jogador modifica o cenário, que são sempre um quadrado que cabe em uma única tela, movimentando colunas específicas para criar um caminho para o protagonista chegar ao destino, simples não é?

O problema é que navegar por essas colunas é feito usando os botões de ombro “LB” e “RB”, e essa escolha, na forma de interagir com o mundo, se mostra um tanto quanto problemática. Suponha que o cursor esteja em uma coluna X e você deseje mover uma coluna Y que está do outro lado do cenário, talvez você tenha que apertar o botão 10 vezes até chegar no local, e depois apertar 8 vezes para selecionar outra coluna e por aí vai.

Uma vez que o cenário atende a sua ideia, você pode controlar o protagonista e avançar no jogo. Como eu disse, é algo cansativo, mas não irritante. Porém, em fases mais avançadas você se verá tendo que navegar pelas colunas, mudar o cenário e controlar o protagonista antes que algo de ruim aconteça, e aí começa a ficar um jogo deveras irritante. Em determinado momento, eu me vi apertar os botões de ombro de maneira desenfreada só pra chegar em uma coluna do outro lado da tela e acabava passando do ponto, tendo que fazer o sentido contrário apertando novamente de forma desenfreada os botões para descobrir que não foi possível chegar a tempo. De verdade, a  impressão que passa é que o último chefe não é a vilã em si, mas o próprio controle.

Até que não é ruim

Apesar do controle, antes de se tornar um pouco frustrante Tetragon apresenta desafios criativos que prendem a atenção. É um título que prende nas suas 4 horas de jogatina mas que tem baixo fator replay.
Infelizmente o jogo não apresenta nada que o faça se destacar dos seus principais concorrentes, mas mostra que a Cafundó tem condições de, no futuro, entregar um produto de fato impactante.

Esta análise só foi possível graças a Buka Entertainment que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança. O jogo já está disponível para Xbox One e Xbox Series X|S e pode ser adquirido por meio do nosso link afiliado no final desta análise.

Análise – Tetragon
Conclusão
Infelizmente o jogo não apresenta nada que o faça se destacar dos seus principais concorrentes, mas mostra que a Cafundó tem condições de, no futuro, entregar um produto de fato impactante.
Gráficos
7
Som
6
Jogabilidade
6
Diversão
7
Prós
Desafios interessantes
Proposta chamativa
Contras
Mecânicas de controle de cenário ruins
Enredo mal trabalhado
6.5
Bom
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