Análise de Pit People

A incrível história de um povinho briguento

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Era uma vez, um lindo planetinha (meio escroto na verdade), onde seus pequenos cidadãos viviam uma vida pacata e miserável, sem lá muitas preocupações. ATÉ  QUE UM DIA, UM URSO GIGANTE COLIDE COM ESSE PLANETA e muda para sempre toda a estrutura desta terra de ninguém, dividindo cada pedacinhos do solo em pequenos “LADRILHOS?”.  E é assim que começa este tenebroso apocalipse, onde o antes pacato ambiente se transforma em uma zona de guerra por turnos, com bichos e monstros de todas as espécies lutando pela sobrevivência e no meio disso tudo, está o pobre fazendeiro de framboesas Horatio, seu nobre companheiro nesta viagem insana.

Pobre Horatio! Nem imagina na encrenca que se meteu…

E isto é só o começo do novíssimo e interessante game da The Behemoth, que  nunca deixou de entregar títulos criativos e inusitados ( e é claro, ótimos) como o desafiador Alien Hominid e o genial Castle Crashers.

Pit People é um game de estratégia com combates em turnos e elementos de RPG, onde você deve posicionar seus personagens em uma arena semelhante a um tabuleiro e movimentá-los a cada turno, sendo que cada personagem pode caminhar uma quantidade específica de ladrilhos ou atacar de determinada distância, tudo dependendo de suas estatísticas como velocidade, armas e habilidades. Além disso, existe a parte de exploração do game, que é feita através de um imenso mapa . Neste mapa é possível encontrar novas missões, enfrentar e capturar (vou falar disso depois) diversos inimigos e também encontrar novos itens, sendo esta uma parte importante da aventura.

 Eu já vi isso antes, mas ainda sim é tão original…

Pit People se destaca muito em sua excessiva originalidade,  os personagens são completamente amalucados, os efeitos sonoros, principalmente das vozes dos personagens, são absurdamente hilários e os cenários e desenhos do jogo são uma verdadeira aula de carisma e criatividade, tudo no jogo soa saturado e cômico, mostrando que os criadores não tem pudor em esboçar um humor sátiro e escatológico, já bem caraterístico em outros jogos da série, só que aqui foi elevado ao quadrado.

As telas de loading sempre tem alguma dica útil ou uma piadinha.

Vale notar também as inúmeras referências nos elementos de jogo a outros games da franquia, todo o estilo lembra bem o jeito Behemoth de fazer games. Outra referência bacana que vale a pena comentar é no mapa, que lembra muito o estilo do clássico game do Sega “ToeJam & Earl“, é impossível para nós, da velha guarda, passear neste mapa e não lembrar daquele visual isométrico cheio de inimigos a espreita, onde na maioria das vezes a melhor opção é esquivar, e isso é legal pra caramba!

O mapa tem várias regiões, como este doce continente.

E não posso esquecer de citar as músicas, muito dançantes e empolgantes, com destaque para a trilha sonora na cidade, que tem a mesma qualidade dos jogos anteriores, um verdadeiro show.

A cidade não pára, a cidade só cresce…

O roteiro de Pit People é bem simples, você começa com um pobre camponês que vê sua casa ser invadida por uma gangue de bandidos espaciais, que na verdade são comparsas de um Urso gigante do mal (maravilhosamente narrado por Will Stamper, o mesmo hilário narrador de Battleblock Theater) que se acha um Deus e resolve atormentar a vida de Horatio com as mais completas maluquices, chegando então a “sem querer, querendo” pisar no filho do Horatio, que segue então em uma jornada de vingança, encontrando no caminho diversos personagens igualmente maravilhosos, como uma princesa rancorosa e uma conquistadora espanhola (???).

O urso gigante conta com um ótimo dublador.

No meio da sua jornada, além dos personagens principais, existe um recurso muito importante do jogo que é o recrutamento, praticamente qualquer inimigo do jogo pode ser capturado e assim se tornar um membro da sua equipe, desde zumbis, borboletas, unicórnios, ciclopes, cogumelos, enfim, a variedade é imensa e cada um tem uma característica no campo de batalha.

Para quem for se aventurar em Pit People, é bom lembrar, é na cidade que tudo acontece, lá é possível recrutar novos personagens, encontrar novas missões, participar de disputas online, mudar a formação de sua equipe e equipar seus personagens.  Na cidade também está seu porto seguro, tudo o que você coleta no mapa só pode ser armazenado com segurança retornando para a cidade, assim como os personagens mortos em batalha, que podem ser recuperados ao voltar para a cidade (existe um modo de jogo onde as mortes são permanentes).  Há, e o Urso malvado costuma mudar a cidade de lugar, o que dificulta um pouco mais as coisas.

Em Pit People a cidade pulsa, literalmente.

Seja estrategista, ou morra tentando…

Assim como todo bom jogo de estratégia, Pit People exige do jogador certo cuidado ao posicionar os personagens e também em qual focar cada função. Existem diversas classes, personagem com escudos pesados podem proteger os demais de flechas, enquanto os mais rápidos podem atacar pelos flancos, os bolinhos, inofensivos, são os “healers” (médicos), e devem ser protegidos pois são frágeis, e também temos os grandões, que ocupam o espaço de dois membros mas são fortes e apelões. As possibilidades do jogo são imensas, já que cada personagem possui uma característica específica, além disto, existem mais de 500 itens disponíveis que podem ser equipados, é muita variedade.

Entenda, assim como qualquer jogo do estúdio, este não é um game fácil, e as situações de combate mudam a cada batalha, e algumas nem envolvem vencer o inimigo, mas sim destruir certos objetos, proteger algum personagem ou vencer inimigos em números de turnos já definidos, e isso deixa o jogo menos cansativo, apesar de algumas batalhas demorarem até 1 hora.

O jogo permite jogar em cooperativo com mais uma pessoa, mas não pense que as coisas facilitam, já que neste modo o número de personagens dobram, exigindo dos dois jogadores certa sintonia para vencer as batalhas.

Algumas escorregadas no quiabo

Apesar de ter amado o jogo, não posso deixar de comentar alguns pequenos deslizes, principalmente quando falamos de interface de usuário, algo que neste tipo de jogo é imprescindível.

Menus confusos são um ponto fraco do game.

A verdade é que o game peca um pouco nos menus, acho que a maluquice é tanta, que toda a relação que envolva menus e customização se torna um pouco confusa. Especialmente na customização dos personagens, onde é difícil não ficar perdido com tantos ícones pequenos, em menus pequenos e amalucados. E isso se repete também na hora de comprar algo, ou armazenar seus itens, o que exige uma curva de aprendizado maior do que nas batalhas.

Outro detalhe que poderia ser melhor explorado é a câmera durante as batalhas, que apesar de consistente, é fixa, fazendo com que ocasionalmente algum personagem fiquem escondidos no cenário. A inclusão de um scroll no cenário seria muito bem vinda.

Agradecimentos especiais para o pessoal da The Behemoth que nos disponibilizaram uma cópia de avaliação.

The Pit People está disponível para PC (Steam) e Xbox One.

"Maniômetro"

Gráficos8.5
Som10
Jogabilidade7
Diversão10
Narrativa9
Multiplayer8

Prós

  • Som espetacular
  • Humor afiado
  • Longo e desafiador
  • Narrador principal

Contras

  • Menus confusos
  • Algumas batalhas excessivamente longas

Conclusão

8.8Pit People é um jogo divertidíssimo, com um valor artístico grande e com um trabalho de som muito competente e engraçado. Sua dificuldade é bastante esperta e seus mecanismos de jogo são envolventes a ponto de viciar até mesmo aqueles que não são fãs do gênero. Se for pela história, saiba que ela é bastante no-sense, mas rende momentos bem engraçados e casam muito bem com o estilo de jogo, tudo muito bem traduzido para o Português do Brasil. Com certeza um dos melhores trabalhos da The Behemoth. E não esqueça, se for viajar, leve sempre uma gaiola, hummm.

Luiz El Cumbachero
o autorLuiz El Cumbachero
Luiz Eduardo
Baiano de nascença, se a vida se resumisse em comer farofa apimentada e ouvir Pink Floyd já estava de bom tamanho pra mim. Fã de games desde o primeiro contato com o Sonic no Mega Drive, divido hoje a paixão com meu filho Marcos de 5 anos, que já está me dando uma surra nos jogos.