Será que foi alucinação coletiva? Os jogos anunciados que sumiram do radar!

Estando próximos de mais uma E3, sempre ficamos na expectativa pelo lançamento de novas franquias revolucionárias, ou por sequências de jogos já consagrados. Mas, como em todo mercado, nem sempre o desenvolvimento de novos produtos na indústria gamer acaba alcançando os padrões esperados (sim, estou falando com você, WiiU!). Além disso, ocorrem situações em que os produtos não chegam nem a ser lançados, mesmo após anúncios pirotécnicos e gigantescos em um dos maiores palcos do entretenimento eletrônico. Por isso, compilamos uma lista com alguns dos jogos que nós da redação passamos a considerar alucinações coletivas, ou seja, jogos que só se justificam seus sumiços como produtos de nossa imaginação!


Beyond Good and Evil 2 (2008/2017)

No início dos anos 2000 (na época que a Ubisoft ainda tinha moral, rs) foi lançado um dos jogos mais criativos e carismáticos da empresa até hoje: Beyond Good and Evil. Tendo em Jade uma protagonista muito bem construída, e com coadjuvantes extremamente divertidos, o jogo conta a história de uma repórter que “caiu de paraquedas” em uma investigação sobre o sumiço de habitantes do planeta em que vivia, revelando uma conspiração corporativa sombria que os ameaçava. Apesar de toda a promessa que a franquia apresentava, Beyond Good and Evil foi um fracasso de vendas nos anos próximos ao seu lançamento. O fracasso foi atribuído à péssima otimização do jogo nos PCs, onde sobravam glitches gráficos e exigiam uma máquina robusta para os padrões da época. Porém, com o relançamento do jogo na geração PS3/360 com o nome de Beyond Good and Evil HD Edtion, a franquia conseguiu cativar e conquistar uma comunidade de fãs apaixonados pela história.

Assim, em 2008 a Ubisoft apresentou um trailer para uma sequência direta do jogo, que aparentemente exploraria os eventos que concluem o primeiro jogo e expandiria a jogabilidade para ambientes urbanos populosos. Nos anos seguintes, foram várias as declarações de que o desenvolvimento da sequência estava “muito bem, obrigado!” e chegaram até a circular na internet supostos vazamentos de vídeos do seu gameplay. O fato é que, por volta de 2013, ninguém mais acreditava que uma sequência estava em qualquer estágio de desenvolvimento. Supunha-se que a nova geração de console tivesse atrapalhado o desenvolvimento do jogo, mas sem nenhuma forma de pronunciamento oficial da empresa e de seus funcionários, o projeto parecia morto.

Porém, em 2017, em um dos momentos mais comoventes que já ocorreu no palco da E3, Michel Ancel (criador do primeiro Beyond Good and Evil) apresenta, às lágrimas, um trailer de Beyond Good and Evul 2, dessa vez uma aparente prequel do primeiro jogo. Sua fala veio na forma de um desabafo sobre o quanto ele amava o projeto e o quanto ele via o desenvolvimento do novo projeto como um sonho realizado. A premissa do jogo era extremamente ambiciosa: um jogo de exploração espacial de mundo aberto, contanto com a participação colaborativa de sua fanbase para a criação da lore do jogo, de personagens que povoariam seus mundos e até mesmo na estética das culturas urbanas de cada planeta.

Já se passaram 4 anos desde o anúncio de BGE2, e não tivemos grandes novidades sobre o projeto além de lives realizadas no Twitch mostrando o desenvolvimento do jogo. A Ubisoft criou um site para que os fãs do projeto acompanhem o seu desenvolvimento mas, fora algumas notas garantindo que o jogo ainda está em desenvolvimento, não tivemos nenhuma comunicação oficial pelo menos nos últimos dois anos.



Agent (2009)

Em 2009, a Rockstar Games anunciou um ambicioso projeto chamado Agent, que definia como “o jogo de ação absoluto”. O projeto seria exclusivo para o Playstation 3, e rumores indicavam seu ano de lançamento em 2010. O anos de 2010 e 2011 se passaram sem que absolutamente nada fosse falado sobre o projeto, exceto os eventuais “está tudo bem” e “estamos trabalhando” da equipe de desenvolvimento. Alguns anos depois, a obra que se passaria num cenário de espionagem da Guerra Fria caiu no esquecimento e, em 2018, foi anunciado “pela porta dos fundos” o cancelamento do projeto.


Projetct V13 – Fallout Online (2010/2012)

O Project V13 é um exemplo fantástico de um fenômeno inverso, já que não podemos chamar de alucinação coletiva dos seus fãs e sim de seus desenvolvedores: não havia absolutamente nenhuma chance de o projeto dar certo! Pra quem não conhece a história da franquia Fallout e da briga judicial entre sua criadora original (Interplay Interactive) e sua detentora atual (Bethesda Softworks) aí vai um resumo!

Em fins dos anos 2000, a Interplay não estava muito bem financeiramente. Apesar dos sucessos cult Fallout e Atomic Bomberman, a empresa não conseguia expandir seu público além do nicho de fãs que tinha para cada uma de suas franquias. Um jogo chamado Project Van Buren teve seu desenvolvimento paralisado devido às dificuldades financeiras da empresa, que não viu outra saída a não ser “emprestar” a franquia Fallout para outra companhia que tivesse condições de explorá-la comercialmente. Nesse caso, a sortuda da vez foi a Bethesda, que acabou criando um dos melhores jogos já produzidos: Fallout 3. Apesar da mudança de formato do projeto (os Fallout originais eram todos RPGs táticos isométricos, enquanto que Fallout 3 se tornou uma mistura de RPG e FPS) a mudança agradou uma legião de novos fãs da franquia e imortalizou a empresa como criadora de RPGs fantásticos. Vale lembrar que a empresa já havia lançado Elder Scrolls Morrowind e Oblivion, ambos os jogos aclamados pela crítica.

Tendo visto relativo retorno financeiro pelo “empréstimo”, a Interplay planejava retomar o Project Van Buren – que curiosamente seria chamado oficialmente de Fallout 3 antes do jogo lançado pela Bethesda – e além disso expandir a franquia para novos rumos: nascia em 2010 aí o Project V13… só que não. Uma série de problemas legais referentes à franquia Fallout, somados à uma nova crise financeira que afetou a Interplay acabaram por ver toda a propriedade intelectual da franquia Fallout transferida para a Bethesda. A Interplay, com as mãos abanando, tentou continuar o desenvolvimento do jogo para fugir de qualquer impedimento legal que pudesse ligar seu novo produto à franquia Fallout que agora não a pertencia. Por fim, por volta de 2012 o projeto foi silenciosamente retirado do site da empresa, que alguns anos depois foi completamente removido, indicando o fim de uma das empresas mais icônicos dos anos 90.


System Shock 3 (2015)

Praticamente todo fã de RPGs dos anos 90 deve, pelo menos, ter ouvido falar da série System Shock. Utilizando com maestria o gênero cyberpunk – futuro distópico, monopólio corporativo, banalização do indivíduo – o primeiro jogo da série, lançado em 1994, foi rapidamente alçado ao status de jogo lendário pelas novidades apresentadas no gameplay – que fora utilizadas em outros notórios jogos como Deus Ex. Porém, System Shock 2, apesar de ter agradado de boa medida, uma parcela de seus fãs e da imprensa gamer, acabou sendo considerado um fracasso de vendas.

Em 2015, o terceiro jogo da franquia foi anunciado em meio a incertezas, já que a Otherside Entertainment e a Nightdive Studios- empresas responsáveis pelo desenvolvimento da franquia – enfrentavam dificuldades financeiras. Nos anos seguintes, os fás de System Shock foram agraciados com as mesmas declarações vagas de que tudo estava indo bem, e que o jogo estava sendo desenvolvido, sem nenhum tipo de anúncio oficial ou informações sobre o progresso de sua equipe.

Em 2019, a empresa liberou. finalmente, algumas informações sobre o projeto – e inclusive um vídeo de gameplay – que deixou seus fãs esperançosos, apenas para encontrar novamente entraves financeiros para sua conclusão. Atualmente, o projeto parece estar em mãos da Tencent para um contrato de publicação, sem novas notícias relevantes há praticamente 2 anos. Não se sabe ainda o peso que a nova publicadora terá no desenvolvimento do jogo, já que o pouco conteúdo apresentado é meramente pré-alpha e passível a modificação futura. Curiosamente, um remake do primeiro System Shock está programado para lançamento nos próximos meses, enquanto que o novo jogo da franquia permanece no limbo das expectativas de seus fãs.



Dead Island 2 (2014)

Dead Island 2 é sem dúvidas o mais conturbado exemplo dessa lista. Podemos começar falando da (provavelmente) maior peça de propaganda enganosa na história da indústria gamer: o trailer do primeiro Dead Island, que mostrou o apocalipse zumbi de forma comovente através da morte de uma criança durante o ataque a um hotel. Quem viu o trailer sem, depois, enxugar uma lágrima solitária no canto dos olhos não pode ter coração! Após o lançamento, porém, a promessa de uma experiência narrativa emocional foi para a vala, embora tive sobrado um jogo bastante divertido da temática de apocalipse zumbi.

Sua sequência enfrentaria outros problemas mais graves: o projeto saiu da esfera de alucinação coletiva para motivo de piadas de qualquer pessoa antenada no mundo dos games! Anunciado em 2014, o jogo passou por turbulências imensas, que viram boa parte de seu desenvolvimento interrompido por razões legais e financeiras, além de divergências criativas, que acabaram por lazer várias desenvolvedoras a abandonar o projeto.

Posteriormente, foi lançada uma nova franquia que tomou as rédeas do estilo de jogo inaugurado por Dead Island, chamado de Dying Light (que inclusive passou raspando de ter sua sequência agraciando nessa lista). Tanto era a similaridade das duas franquias que foi surpresa geral o anúncio de Dead Island 2, já que todos imaginavam que a franquia havia sido enterrada em prol de um “sucessor espiritual”. No anúncio de Dead Island 2, um trailer apresentando um apocalipse zumbi levado aos extremos aceitáveis da comédia (algo como um Sunset Overdrive de mal gosto) foi lançado, como sempre sem datas de lançamento. Desde então, o projeto tem estado no limbo dos delírios coletivos dos jogadores, apesar de recentes declarações de seu lead designer jurando de pés juntos que o projeto não foi cancelado. A impressão é que a detentora da IP, Deep Silver, nao sabe bem o que fazer de seu produto.


Skull & Bones (2017)

Na onda de Black Flag (o trocadilho não foi intencional, rs) a Ubisoft percebeu que um dos pontos fortes dos últimos jogos da franquia Assassins Creed (AC3, Black Flag e sua expansão Freedom Cry) e mais elogiado por seus jogadores foram as batalhas navais. Os controles responsivos e o combate satisfatório trouxeram até mesmo jogadores que não eram afeitos à série a experimentar essa novidade do jogo. Ciente disso, em 2017 a empresa anunciou um novo projeto que se concentraria seus esforços no combate naval, que teve um trailer bem badalado na E3. Skull & Bones teve a princípio uma ótima recepção, mas a Ubisoft não esperava pela explosão da popularidade de um rival improvável: Sea of Thieves, da Rare. Apresentado em 2015, o jogo foi lançado em 2018 (e assim no decorrer do processo de desenvolvimento de Skull & Bones), o jogo da Rare – apesar de ser bem diferente da proposta da Ubisoft – acabou refletindo no desenvolvimento de seu “rival”. A explosão da popularidade de Sea of Thieves a partir de 2019 só fez aumentar os desafios enfrentados pela equipe de Skull & Bones, que se viram forçado a modificar o modelo do jogo para tentar superar o jogo distribuido pela Microsoft.

Atualmente, o jogo ainda  está indicado como “em desenvolvimento” e rumores indicam que o jogo mudaria para um formato de “jogo como serviço” provavelmente gratuito com foco em cosméticos pagos em forma de microtransações. Apesar de sua existência ainda estar bem contestada, o modelo gratuito parece bem alinhado com os novos planos da Ubisoft.


Metroid Prime 4 (2017)

A franquia Metroid é uma das mais amadas pelos seus fãs no Hall de jogos lendários da Nintendo. Infelizmente, não é uma série que tem recebido muita atenção por parte da empresa, ainda mais se comparado aos seus pares do panteão nintendista, como Mario e Zelda. A história já começa errada: em 2016, a empresa anuncia um spinoff da franquia – chamado Matroid Prime: Federation Force para o Nintendo 3DS – em vez de uma nova iteração da jornada de Samus, o que enfureceu os espectadores, que tinham certeza que Metroid seria finalmente contemplado com um novo jogo. Assim, em 2017, as novas aventuras de Samus foram anunciadas para Nintendo Switch e elevando as expectativas de sua playerbase, que aguardavam ansiosos por mais um episódio da franquia na mais nova geração de consoles da Nintendo.

A alegria dos fãs durou pouco. Com informações esparsas sobre o desenvolvimento do jogo nos anos seguintes, por fim no início de 2020 o projeto foi oficialmente cancelado. Supõe-se que o modelo de desenvolvimento dos jogos da Nintendo, baseado em estimativas trienais, seria o motivo que fez a empresa decidir pelo cancelamento, visando uma janela de desenvolvimento posterior.


Elden Ring (2019)

A empresa From Software se consagrou como fábrica incontestável de jogos icônicos: Sekiro, Demon Souls, Bloodborne e a saga Dark Souls formaram uma legião de fãs – e um cemitério de teclados e controles quebrados. Com o fim do ciclo da saga Dark Souls após seu terceiro jogo, ficou no ar a expectativa de quais seriam os próximos passos da empresa. Assim, durante a E3 de 2019 um novo projeto da empresa foi anunciado, contando com a colaboração entre Hidetaka Miyazaki – cirador da saga Souls – e ninguém menos que G. R. R. Martin – escritor da popularíssima série de livros Crônicas de Gelo e Fogo, que inspiraram a série Game of Thrones.

De cara, já existem alguns problemas: o primeiro e mais imediato é que o ambicioso projeto levou o nível de hype dos fás do gênero souls-like a níveis impossíveis de calcular. A espera por notícias nos dias posteriores à apresentação deixou a internet mobilizada para o possível compartilhamento de novos detalhes… que não vieram. Com exceção do vazamento de um vídeo com mais detalhes do jogo, ficamos desde o lançamento do trailer no limbo da enorme espera por mais detalhes (e, não custa nada sonhar, vídeos de gameplay). Outro detalhe que pode desanimar quem espera novidades é que Martin é conhecido por ter um ritmo de produção… peculiar. Vale lembrar que o quinto livro da saga das Crônicas foi lançado simultâneamente às primeiras temporadas da série. Tamanha foi a demora do escritor em lançar o sexto livro que os diretos da série decidiram criar suas próprias tramas em direção à conclusão da série, para efeitos desastrosos! Atualmente, a espera pelo sexto livro da série já dura cerca de 10 anos (como leitor da saga, posso atestar a demora em primeira mão!)

Ainda assim, existem rumores indicando que o jogo será de alguma forma apresentado no Summer Game Fest, evento que começa dia 10/06,  poucos dias antes da E3. O jeito, então, é esperar – de dedos cruzados!


Ficamos por aqui na nossa lista de jogos que só podem ser produto da nossa imaginação, e divididos de forma telepática entre fãs ávidos por novas experiências de jogabilidade! A única explicação possível para o sumiço dos jogos e que nunca existiram e foram meros produtos de nossa imaginação. Lembraram de algum jogo que a gente deixou passar? Compartilha com a gente nas nossas redes sociais (Twitter, Telegram, Instagram e Facebook)!

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