Análise – Olija

Última atualização:
LANÇAMENTO
28/01/2021
DESENVOLVIDO POR
Skeleton Crew Studio
PUBLICADO POR
Devolver Digital

Eu fico extremamente empolgado quando pego um game feito em pixel art. Memórias de outra época voltam à tona, dos tempos que eu sentava diante de uma TV de tubo e jogava os clássicos do meu querido nintendinho.

Olija é um ótimo exemplo de jogo feito com esse estilo artístico. Mas a sua beleza não se limita apenas aos gráficos. Ela se estende a narrativa, passando pelos controles e terminando na parte sonora. Que ao meu ver é uma verdadeira obra de arte.

Já faz um tempinho que a Devolver Digital tem apostado em jogos interessantes, que muita das vezes, podem parecer “diferentes”. Alguns maldosos, porque não dizer desavisados, criticam a editora sobre as escolhas de alguns títulos. Eu bato palma e elogio essa atitude, porque só assim conheceremos títulos incríveis. Hoje compartilharei a minha experiência com o Olija, jogo desenvolvido pelo pessoal do Skeleton Crew Studio.

Em busca da salvação

Lord Faraday, protagonista do jogo, não aguenta mais ver o seu povo sofrendo. Em um ato de desespero, resolve juntar um grupo de homens em seu navio e parte em uma expedição com o objetivo de encontrar uma solução para os seus problemas.

Uma grande tempestade surge no caminho deles. Como senão bastasse, uma colossal baleia passa a perseguir a embarcação. Infelizmente o navio é destruído e todos os tripulantes, incluindo o capitão Faraday, afundam no mar.

Aquilo que parecia ser o fim, torna-se o início da nossa história com o personagem, milagrosamente Faraday sobrevive, mas logo percebe que está em um lugar misterioso. Terraleva (Terraphage) é formada por várias ilhas estranhas e cabe a nós explorá-las e descobrir uma maneira de voltar para casa.

O início da jornada

A nossa jornada com o personagem se inicia no momento que ele acorda. Não há sinalização indicando para onde devemos ir. A única coisa diferente ao nosso redor é uma criatura estranha, que se descola para o lado direito, assim que despertamos. Ao jogador, resta apenas seguir o pequeno monstrinho.

Os primeiros minutos de jogatina servem para o jogo nos ensinar o básico dos controles. Como pular, atacar ou executar a rolagem. Tudo funciona de uma maneira bem fluída. Há um capricho nos movimentos, quando executamos o pulo, por exemplo, uma pequena sombra preta canta o movimento do personagem. Pode-se dizer que é uma fração de animação, que trás uma fluidez aos movimentos, mesmo o game usufruindo do minimalismo nos detalhes do personagem e do mundo que o rodeia.

Terminado esse primeiro momento, que culmina em uma sequência eletrizante, temos o primeiro contato com uma pessoa, no caso, o barqueiro.

O barqueiro e a ilha de Marvalho

O recém conhecido serve de guia e transporte durante toda a jornada. Ele levará o lorde para as diversas ilhas que formam o arquipélago. A cada visita, uma nova história, uma nova informação sobre o lugar. Mas há uma ilha especial no meio de tantas: Marvalho.

Assim que desembarcamos no lugar, é possível notar o quão precária está a ilha. Mesmo assim, Faraday é bem recebido e ganha um lugar especial. Naquele momento me senti na obrigação de ajudar aqueles homens, isso é possível, encontrando outros náufragos perdidos que estão espalhados pelas ilhas. Um desses homens é o chapeleiro, que tem como função criar novos itens que aprimorarão alguns aspectos do Lord, como por exemplo, imunidade a veneno. Marvalho a partir desse momento passará a ser o nosso HUB.

Mas afinal de contas, qual é o objetivo principal do game? O objetivo se resume a encontrar uma maneira de voltar para a casa. Para que isso aconteça o Lord terá que encontrar algumas chaves, que parecem selar uma grande porta. Para que isso aconteça temos que lidar com muitos problemas: uma disputa política entre dois clãs, enfrentar uma quantidade significativa de criaturas e superar as diversas armadilhas que teimam em querer nos matar.

Como fazer tanta coisa desprovido de armas? Na primeira visita a outra ilha, encontramos um florete. Uma espada curta, que expandirá as habilidades de Faraday. Nesse ponto da análise preciso reforçar como é gostoso os controles  quando estamos em um combate. Tudo flui de uma maneira rápida e natural. Há jogos que o sistema de combate é travado, tornando a jogatina um pouco cansativa. Não é o caso do Olija, que se sobressai com relação a concorrência.

Como senão bastasse, a forma de lutarmos melhorará, assim que encontramos o Arpão Amaldiçoado.

A princesa e o Arpão

O jogo segue uma estrutura bem simples: você chega em um lugar, perambula por ele enfrentando monstros e tenta explorá-lo ao máximo. No processo você encontrará náufragos, diamantes, itens valiosos e portas com uma espécie de fumaça preta. Todas as vezes que você encontrar uma, prepare-se para algum tipo de descoberta/desafio.

O título lembra um pouco os clássicos Another World ou Prince of Persia na forma de contar sua história e em alguns aspectos de level design. Mas ele se diferencia, em muito, pela sua velocidade e fluidez na movimentação. Mas tudo parece ficar em câmera lenta quando encontramos a doce e adorável Olija.

Olija é uma princesa e herdeira de um clã, um dos que lutam em nome da liberdade naquele lugar. Assim que a libertamos, uma série de problemas acontecem, dificultando ainda mais o nosso retorno ao outro mundo. O acréscimo da personagem, ao meu ver, é muito bem-vindo. A impressão que tive, em alguns momentos, era de estar assistindo a uma animação. Há momentos de romance, que se alternam com situações de violência e morte.

No processo de resgate, encontramos a verdadeira arma do jogo, aquela que mudará a nossa forma de lutar. O arpão amaldiçoado é uma arma temida por todos, principalmente pelo clã da donzela. Seus seguidores repetem exaustivamente o quão terrível é o arpão. Para o jogador, ele é uma dádiva.

O arpão pode ser usado para desferir golpes, semelhante ao florete, mas o seu grande diferencial acontece quando o jogamos na direção dos inimigos ou em pontos chaves espalhados pelo cenário. Em ambos os casos, assim que ele finca, uma linha é criada entre o nosso personagem e o lugar. Com apenas um botão, o arpão trás o Lord para perto de onde ele está, uma espécie de dash. Simples, não? Mas essa mecânica inovadora muda a forma como nos deslocamos pelos cenários, permitindo que alcancemos lugares, que outrora, pareciam impossíveis de se chegar.

Nem preciso dizer o quanto muda a forma de lutarmos contra os monstros, a coisa ganha contornos de sadismo. Toda vez que eu encontrava um inimigo, independente da posição dele, eu fazia questão de lançar o meu arpão, para realizar o movimento de deslocamento e no final, encher ele de porrada, espadada, arpada. Fora as lutas contra os chefes, que são EXCELENTES usando o item amaldiçoado.

Fim?

Assim que terminei a jornada do Lord Faraday fiquei com a sensação de quero mais. Será que teremos uma continuação? Adoraria voltar a Terraleva para explorar outros lugares. Com relação a estrutura das ilhas espalhadas pelo mapa e a forma como somos motivados a visitá-las me agradou muito durante a jogatina. A parte do combate, nem preciso dizer, o quão interessante foi para mim.

A jogabilidade é muito boa, aliada a um estilo artístico impecável, que está em constante sintonia com a parte sonora, transformando Olija em uma obra de arte digital. Entendê-lo dependerá de quem o joga e não gostar dele, é algo normal, desde que encontre os argumentos certos para descrever os pontos negativos dele.

Ele possui alguns pontos que não curti, um deles está ligado diretamente a um bug estranho. Eu joguei o game em um Xbox One S e em alguns momentos, três ao todo, o meu personagem travou. Todo o resto continuou em movimento, somente o lorde parecia estar congelado. Isso durou poucos segundos, mas me incomodou um pouco, principalmente em uma batalha contra um chefe.

Outro ponto que não curti muito foi a animação do momento que entramos nas portas com fumaça preta. Na primeira vez, por ser novidade, não vejo problema algum. Depois de um tempo, aquilo parecia tomar um pouco do meu tempo. Não chega a um minuto se quer, mas de alguma forma aquilo me incomodava.

Com relação as viagens entre as ilhas, algumas poderiam ser encurtadas. Entendendo que o barqueiro tem um papel especial nesse processo de deslocamento, mas muita das vezes, eu só queria chegar no destino, o mais rápido possível.

Pessoal, reforço que adorei o jogo. Para mim ele é uma obra de arte e recomendo, de coração, que joguem o game. Vocês não se arrependerão. Esses pontos negativos, que descrevi logo acima, demonstram que o título possui arestas que podem ser melhoradas nos próximos projetos do estúdio. Mas para mim, ficou evidente o cuidado dos desenvolvedores em inúmeros aspectos do game. Fora que o game foi TOTALMENTE localizado para o nosso idioma, ponto MAIS que positivo. Torço para que o estúdio evolua, que a editora continue dando suporte a eles e que, quem sabe, uma continuação dessa adorável história possa ser desenvolvida para nós.

Esta análise só foi possível graças a Skeleton Crew Studio e Devolver Digital, que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança. O jogo já está disponível para Xbox One e Xbox Series X|S e pode ser adquirido por meio do nosso link afiliado no final desta análise.

Análise – Olija
Conclusão
Olija é uma obra de arte. Um jogo com uma direção de arte e sonora impecáveis. Vale muito a pena jogá-lo.
Gráficos
10
Jogabilidade
9.5
Som
10
Diversão
9
Prós
Direção de arte impecável
A parte sonora é uma obra-prima
Controles excelentes, com o acréscimo da mecânica do arpão.
Contras
Tempo das viagens de barco e do momento que entramos nas portas de fumaça preta
Bugs de travamento do personagem, foram poucos, mas me incomodaram um pouco
9.5
Viciante
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