Análise – Copycat

Lançamento
29/05/2025
Desenvolvido por
Spoonful of Wonder
Publicado por
Neverland Entertainment

Copycat, da Spoonful of Wonder, é um simulador felino aconchegante e fofo, com uma trama séria e sensível por trás. Mas, apesar da premissa cativante, a experiência acaba ofuscada por uma jogabilidade restrita e uma linearidade rígida.

A ideia é simples e irresistível: como seria viver como um gato? O jogo tenta oferecer essa fantasia, mas, assim como os próprios felinos, nem sempre funciona da forma esperada. Quem espera um sandbox cheio de possibilidades pode se decepcionar — Copycat é, essencialmente, uma narrativa guiada, com exploração limitada, algumas escolhas pontuais e minijogos ocasionais.

Uma história de duas perspectivas

Você começa não como gato, mas como Olive, uma senhora idosa e doente. Depois que seu gato de estimação foge, ela vai até um abrigo em busca de um novo companheiro. A movimentação é propositalmente lenta, simulando suas limitações físicas, enquanto o jogador escolhe entre seis gatos possíveis.

A partir daí, o protagonismo passa para Dawn, a nova gata de Olive. A câmera alterna entre terceira e primeira pessoa, dependendo da situação, o que às vezes pode confundir sobre quando exatamente o jogador tem controle. Explorar a casa, o quintal e as ruas é interessante, mas bastante limitado — miar, pular em móveis, derrubar objetos e observar o mundo à sua volta resumem boa parte da experiência.

Apesar das restrições, o cenário é rico em detalhes. A casa de Olive transborda história: cartões de condolências, folhetos de casa de repouso jogados no lixo e pinturas que revelam memórias da personagem. O cuidado com as animações também é notável: Olive realmente se move como uma senhora fragilizada, e Dawn tem movimentos convincentes de um felino, ainda que às vezes com pequenos bugs de colisão.

Liberdade? Nem tanto

Embora jogue como um gato, a sensação de liberdade é quase inexistente. Suas ações são pré-determinadas pelo roteiro. Logo na primeira interação com Olive, por exemplo, o jogador precisa mordê-la ou arranhá-la — não há opção de não atacar. Da mesma forma, certos eventos só avançam se Dawn derrubar objetos ou sujar a casa. A ausência de escolhas reais reforça o caráter linear, aproximando o jogo mais de uma novela visual interativa do que de um simulador.

Esse direcionamento faz sentido narrativo: Dawn tem um passado marcado por abandono e não deseja formar novos laços. Seu instinto é sabotar a relação com Olive para conquistar a tão sonhada liberdade. No entanto, a resiliência e o carinho da idosa, aliados à sua saúde frágil, acabam desafiando a determinação da gata. O núcleo emocional da história é envolvente, mas a falta de autonomia reduz o impacto da jornada para o jogador.

Vozes, pensamentos e sonhos selvagens

Um dos pontos altos é o recurso visual dos pensamentos de Dawn, exibidos em letras brancas pairando sobre os objetos do cenário. Sarcástica e atrevida, ela sempre tem algo espirituoso a comentar, o que garante boas risadas.

A dublagem também cumpre bem seu papel, com destaque para o narrador de documentários de natureza que Dawn ouve na TV de Olive e passa a imaginar como guia. Isso alimenta sua fantasia de se tornar uma gata selvagem, reforçada por segmentos oníricos onde ela assume a forma de uma pantera negra em paisagens surrealistas.

A trilha sonora acompanha bem essas mudanças de tom: piano suave e jazzístico no cotidiano, e ritmos tribais grandiosos, dignos de O Rei Leão, nos momentos de desafio e sonho.

A segunda metade: da casa para a selva urbana

Metade do jogo marca uma virada importante. Dawn finalmente experimenta a tão desejada liberdade — mas logo percebe o preço disso. Sozinha na “selva” da cidade, precisa lidar com fome, cães raivosos e a busca por abrigo.

Para variar o ritmo, entram minijogos rápidos: combates em QTE contra outros gatos, perseguições contra cães e até a caça a um peixe em um lago. São bem-vindos para quebrar a monotonia, mas curtos e pouco desafiadores.

Vale a pena?

Copycat é um jogo cheio de contradições felinas: fofo, mas melancólico; cativante, mas restritivo. A história é madura, tocando em temas de abandono, perda e pertencimento, com momentos capazes de emocionar qualquer amante de animais. No entanto, a jogabilidade limitada e a ausência de escolhas significativas tiram parte do brilho da experiência.

Não é um título para quem busca liberdade ou interatividade profunda, mas sim para quem valoriza uma narrativa sensível e reflexiva, embalada por boas atuações, detalhes visuais e um toque de humor sarcástico felino.

Charmoso, emocional, mas engessado. Copycat pode não ser um jogo para todos, mas certamente deixará marcas em quem decidir acompanhá-lo até o fim.

Esta análise só foi possível graças a Neverland Entertainment que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança. O jogo já está disponível para o Xbox Series X|S, PlayStation 5 e PC podendo ser adquirido por meio do link ao final desta análise.

Análise – Copycat
Conclusão
Copycat é um simulador felino aconchegante, mas excessivamente linear, que não alcança a ousadia de sua própria promessa de vida selvagem. Ainda assim, sua narrativa envolvente e emocional tem charme suficiente para conquistar o coração de muitos amantes dos animais.
Gráficos
7
Som
7
Jogabilidade
6
Diversão
8
Prós
Pensamentos felinos e comentários do narrador aliviam o clima
Visual, som e sensação realistas de ser um gato
Detalhes sutis do ambiente contribuem para a história
Contras
Jogabilidade pouco desafiadora
A história linear oferece opções limitadas de como responder
7
Bom
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