Tiroteio cinematográfico, sarcasmo e uma trilha excitante

Lançamento
20/06/2019
DESENVOLVEDOR
Deadtoast Entertainment

Era uma vez uma banana, que em um “belo” dia resolveu conversar com um humano… Calma, calma, isso não é um conto de fadas, eu estou brincando, mas a parte da banana falar é verdade, eu juro, e eu vou te mostrar o que “My Friend Pedro” pode oferecer mesmo tendo uma fruta falante no elenco, chega mais.

Uma banana falante!

Você acorda no meio do nada e se depara com uma banana flutuante, até ai tudo “certo”, mas o que acontece quando ela resolve se expressar? Pedro (a banana) começa falando para você pegar uma arma, afinal, como ela mesmo diz, é melhor uma pistola estar na mão de uma pessoa do bem, do que de um maluco, não é mesmo?

A amizade começa tranquila, Pedro (é a banana ein) deixa bem claro o que você vai enfrentar pela frente, humanos e mais humanos, afinal, são os mesmos que sempre criam os problemas no mundo, infelizmente.

Os perigos de uma sociedade doentia

Durante o desenrolar das fases você vai entendendo o seu papel naquele universo, SIM, o jogo é de passar fases, eu esqueci de mencionar isso, desculpa. A ideia de matar um inimigo no início do jogo pode ser estranha, mas o que motiva o jogador a apertar o gatilho pela primeira vez? Pedro te fala sobre um açougueiro que trafica órgãos em um esquema sigiloso, e você tem como missão aniquilar todo esse esquema bizarro que está acontecendo na sociedade, o pontapé que faltava para o tiroteio começar.

A insanidade humana apresentada no jogo pode ser um reflexo do que vivemos, mas sempre partem do princípio de que necessitam de grupos para acontecer. Esquemas de tráfico, linchamento e ódio, são frutos do que a internet possibilitou, e “My Friend Pedro” deixa isso bem claro em sua narrativa.

Em determinado momento do jogo você chega nos esgotos, um lugar totalmente podre, sujo e que carrega em sua identidade o ódio, criando uma metáfora simbólica de como a internet, a violência nos jogos, e humanos infelizes podem piorar as coisas facilmente.

Que cheiro é esse?

“Depois de décadas de jogos violentos, o cérebro deles ficou corrompido, e agora eles só conseguem expressar violência.”

Após a fala de Pedro observamos de fato onde nos encontramos naquele momento, estamos em uma das esferas mais baixas da sociedade pós internet, o mundo tóxico da era virtual. Ali observamos fliperamas quebrados, jogos violentos e pessoas totalmente corrompidas pelo ódio, que no game levam o nome que todos já devem estar familiarizados, os famosos “Haters”.

Ainda no esgoto, podemos notar que uma máquina de fliperama está rodando o próprio “My Friend Pedro”, isso é tão Black Mirror.

Parkour, Skate e Bullet Time

O jogo pode ter uma reflexão interessante, se você parar para pensar, mas o foco mesmo é fazer o jogador se sentir único naquele momento do combate, disparando balas, rodopiando para desviar das mesmas e usar o famoso bullet time, referência óbvia do filme Matrix com o slow motion e do aclamado jogo Max Payne com o bullet time.

Double Kill…

Chegar pulando numa vidraça, mirar em dois inimigos ao mesmo tempo e fazer um verdadeiro show de balas é algo bem interessante, e a sequência de fases nunca cai na mesmice, o jogo sempre te coloca para cima de alguma maneira, seja inserindo novas armas ou até mesmo elementos no mapa, como uma frigideira para ricochetear as balas ou a cabeça dos inimigos para você chutar por ai.

Os movimentos surreais do jogo dão um charme único na jogatina, sem sombra de dúvidas, quando eu subi no skate pela primeira vez eu lembro de ter aberto um sorriso, eu nunca imaginaria algo do tipo num jogo de tiro. Você manda um flip e ainda mata os babacas, quer mais alguma coisa?

De skate eu vim de skate eu vou…

Ainda sobre o combate, as batalhas contra os chefes também são bacanas, e sempre tentam inovar de alguma maneira a perspectiva do tiroteio, criando momentos praticamente cinematográficos.

Mortal com uma mão, radical…

A adrenalina gerada por uma boa trilha sonora

Acabar com os inimigos ouvindo uma trilha que acompanha aquele momento, funciona como um combustível a mais para o jogador, uma verdadeira cafeína sonora.

Já adianto que a trilha do jogo não é uma obra à lá Beethoven, mas ela me empolgou bastante durante a jogatina. A sonoridade passa a impressão de rapidez, ação frenética e caminha juntamente com as fases, a diversidade não é grande, mas ela tem o seu papel.

ALERTA DE SPOILER: se você não jogou o game e não tem interesse em saber parte chave da história, pule o subtítulo a seguir!!!

Pedro, você realmente é meu amigo?

Sim, eu sei que o nome do jogo é “My Friend Pedro”, mas o jogo é sarcasmo o tempo todo, me desculpe mais uma vez. Quando chegamos ao final do jogo temos um plot twist interessante, percebemos que Pedro não é tão legal como diz ser, talvez seja o clímax do enredo, onde você percebe que obedeceu uma banana falante desde o começo do jogo, e talvez nem tenha se perguntado o quão bizarro é obedecer uma fruta que fala com você.

O atrito gerado naquele momento é um pouco infeliz, afinal, você tinha um amigo que te dava uns conselhos legais, mesmo sendo uma maldita banana. Que te ensinou como meter bala nos inimigos de uma forma inovadora e empolgante, e do nada aquela sua vivência vai por água abaixo, e o medo vem a tona, Pedro se revolta contra você, sim, você fez uma fruta virar seu inimigo, parabéns otário.

O maluco beleza já deixava informações sobre Pedro anos atrás, mas talvez você nunca tenha percebido!!!

“Pedro, onde cê vai eu também vou
Pedro, onde cê vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

Tente me ensinar das tuas coisas
Que a vida é séria e a guerra é dura
Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura”

Considerações finais

“My Friend Pedro” é um jogo curto, mas possui um fator replay interessante, durante a campanha você pode coletar itens que servem para modificar seu jogo após zerar ele. Outro sistema que pode agradar uma parcela dos jogadores é o score, famoso placar em jogos de arcade, onde o jogador busca se aperfeiçoar para buscar pontuações melhores, e mostrar para os amigos, é claro. A cada final de fase você recebe uma nota, juntamente com uma palavra e uma expressão facial da banana.

Tirei S, sou demais…

Se você quiser se aventurar em “My Friend Pedro”, já deixo claro que não me responsabilizo por conversas futuras com bananas. No mais, tenha uma ótima jogatina.

Pedro: não dê ouvidos a esse humano do texto, venha ser meu amigo também.

My Friend Pedro se encontra disponível no Game Pass do Xbox One e do PC, disponível também para Playstation 4 e Nintendo Switch.

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