Análise – Yakuza: Like a Dragon

LANÇAMENTO
10 de novembro de 2020
DESENVOLVIDO POR
Ryu Ga Gotoku Studio
PUBLICADO POR
SEGA

Kanpai

A série Yakuza sempre se focou principalmente em dois personagens exclusivamente japoneses: Kiryu Kazuma e a agitada cidade de Kamurocho. Por quase duas décadas, os jogadores calçaram seus sapatos de couro e saíram pelas ruas, salvando a cidade de todo tipo de invasão de gangues e impedindo guerras entre os variados clãs yakuzas em diversas ocasiões. No entanto, sempre chega aquele momento no qual o herói deve se aposentar, e passar o “manto” para outro assumir. Em Yakuza: Like a Dragon, a jornada heroica tem como protagonista o carismático Ichiban Kasuga, um ex-yakuza apaixonado por videogames e luta profissional, e que possui o sonho de se tornar um herói, no melhor estilo Dragon Quest.

Ichiban é como aquele gamer que vive dentro de todos nós. Mesmo depois de uma “curta temporada” de 18 anos na prisão (que infelizmente é prolongada por arrumar confusão durante seu cumprimento). Ele nunca perde ingenuidade e admiração pelo meio digital. Mesmo tendo sido confinado e afastado de tecnologias modernas apenas ajudou a intensificar seus delírios “gamísticos”. Até os membros do seu grupo, com os quais Ichiban se cerca, reforçam essas ilusões, e vão mais longe a ponto de todos fazerem de conta juntos que os homens de negócios bêbados e alguns sem-teto que  enfrentam nas ruas de Yokohama são verdadeiros vilões de JRPG.

Ichiban adquire seu taco de beisebol no melhor estilo excalibur.

Yakuza: Like a Dragon tornou-se um dos meus favoritos games desse estilo  JRPG, em especial pelo relacionamento de amizade entre Ichiban e seus companheiros. Interessante ver membros do grupo surfando a mesma onda que o herói de terno bonina, todos eles gostam de dar uma boas risadas dos desafios que surgem em seu caminho. As brincadeiras entre Ichiban e o seu bando mostram um grupo que pode ter ideologias e ideais completamente diferentes, mas estão todos trabalhando juntos por um objetivo comum: chutar algumas bundas.

O bando de ladinos e desviantes que acompanham Ichiban tem seus próprios objetivos, mas se unem a ele em sua jornada para buscar respostas sobre seu ex-clã yakuza e cada um tem suas próprias personalidades distintas na história. Nenhum dos personagens que de boa vontade acompanham Ichiban em sua jornada são aqueles arquétipos insossos, mas vou deixar os detalhes para aqueles que querem mergulhar na história sem spoilers.

Ichiban e seu eclético grupo.

Embora Ichiban possa ser como um dragão (peixe-dragão, na verdade) e herói em seu grupo, isso não significa que ele esteja limitado à apenas esse serviço. Ao visitar a agência de empregos temporários Hello Work local em Yokohama, ele e seu grupo tem a liberdade para mudar de emprego a vontade. Esses empregos na verdade funcionam como classes, e assim que o personagem muda seu emprego, ele também altera seus ataques e magias durante o combate. Alguns desses papéis requerem alguma experiência e níveis de aliança antes de serem desbloqueados, assim, quanto mais avança na aventura , mais oportunidades surgem.

E quando chegar a hora enfrentar os bêbados encrenqueiros e gangsteres locais de Yokohama, Ichiban terá que esperar sua vez. Pela primeira vez na série, Yakuza: Like a Dragon abandona o tradicional beat ‘em up para realizar combos, e adota o estilo de combate baseado em turnos, assim como os games da franquia Dragon Quest. Chegada a vez de um personagem, você pode optar por atacar, defender, usar itens ou usar uma das habilidades exclusivas para aquele personagem ou profissão. Seguindo as tradições da Yakuza, essas habilidades são insanamente exageradas e muito engraçadas. Como um músico de rua, você pode lançar seu último single contra os inimigos; como uma hostess de cabaré, ofereça uma ducha de champanhe causando centenas de pontos de dano. Essas habilidades são todas interpretações únicas das habituais classes dos JRPG, e experimenta-las para encontrar a melhor combinação de classes entre seu grupo oferece um desafio único e variedade inédita de gameplay na série, tornando o combate que é significativamente mais tático do que apenas trocar entre os diferentes estilos de postura do Kiryu nos outros Yakuzas.

Nada como o frescor de explorar uma nova cidade

Yokohama é uma cidade muito mais descontraída e despojada do que a Kamurocho e sua agitada vida noturna. Isso não significa que Ichiban e o grupo não terão nenhuma diversão para descobrir e dominar durante esta aventura RPG. Se alguma coisa devemos destacar nesse Yakuza é enorme quantidade de mini games, umas das mais variadas da série. Você encontrará todos os tradicionais arcades de Virtua Fighter, OutRun, Fantasy Zone e outros, as novas diversões são algumas das melhores da série. Mas a Dragon Karts eleva o nível dos minis-games para outro patamar. Se você curte sair pelas ruas igual um certo encanador italiano explodindo outros karts enquanto disputa um lugar no podium, Yokohama é certamente o lugar certo para ir nas suas férias.

A outra atividade paralela importante, exclusiva de Yakuza: Like a Dragon, é uma expansão da atividade de banco imobiliário já existente na franquia. Ao investir e ajudar com o negócio de biscoitos de arroz de uma família, Ichiban pode transformar a confeitaria em um conglomerado global por meio de investimentos certeiros, recrutando uma equipe de gerentes para supervisionar o negócio, trazendo até mesmo uma galinha para animar o pessoal. Não espere gastar menos de 8 horas para levar Ichiban Empreendimentos à 1ª do Rank das empresas de Yokohama.

Não se recusa uma boa oferta!

Finalmente, cabe destacar que pela primeira vez na franquia somos agraciados com localização do game com legendas em Português Tupiniquim. A equipe de localização da Sega fez um trabalho incrível com a tradução de Yakuza: Like a Dragon. Muitas das referências culturais e históricas ainda são parte integrante da história, mas a equipe de localização conseguiu manter a história relevante para os brasileiro, além de manter as brincadeiras o mais leve e fiel possível à versão japonesa. Cada um dos membros do grupo de Ichiban tem sua própria visão sarcástica sobre o lado mais sombrio de Yokohama, e acompanhar esses personagens jogarem conversa fora sobre a mobília de papelão de Nanba ou a experiência de outro personagem com estabelecimentos “decadentes” sempre trás um sorriso ao seu rosto. Quanto mais esses personagens interagem uns com os outros, mais você sente o quão disfuncional, mas memorável, esse excêntrico bando de heróis pode ser.

Legendas em PT-BR
Legendas em PT-BR

Joguei o game no Xbox Series X, nesta plataforma é possível escolher entre rodar esse Yakuza no modo normal (com resolução de 1440p, 60 fps e V-Sync) ou o modo Fidelidade (apenas 30 fps, mas altíssima resolução em 4K). Não há como negar que, apesar da extrema fidelidade do modo 4K, o modo normal rodando à 60 fps oferece uma suavidade incrível para se aventurar pelas ruas de Yokohama.

Yakuza: Like a Dragon é um ponto de partida fantástico para os neófitos na série, além de ser uma ótima opção de RPG para ser jogado nos novos consoles. A mudança de combate ativo para um combate baseado em turnos pode desencorajar os fãs de longa data, mas posso te assegurar, que Like a Dragon é uma excelente e divertida mudança da agitação usual de Kamurocho.

Esta análise só foi possível graças a SEGA e Ryu Ga Gotoku Studio, que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança. O jogo já está disponível para Xbox One e Xbox Series X|S e pode ser adquirido por meio do nosso link afiliado no final desta análise.

Análise – Yakuza: Like a Dragon
Conclusão
Yakuza: Like a Dragon é um ponto de partida fantástico para os neófitos na série, além de ser uma ótima opção de RPG para os novos consoles. A mudança de combate ativo para um combate baseado em turnos pode desencorajar os fãs de longa data, mas posso te assegurar, Like a Dragon é uma excelente e divertida mudança da agitação usual de Kamurocho.
Gráficos
8.5
Som
9
Gameplay
9
Diversão
10
Positivo
Combate de turnos combinaram bem com franquia.
Mini games trazem uma diversão extra.
As diversas profissões que Ichiban e seu grupo podem exercer concedem variedade ao gameplay.
Legendas em português.
Modelagem facial incrível.
Negativo
Curva de dificuldade desbalanceada (muito difícil no início, mas o game se torna fácil quando se ganha mais experiência)
Motor gráfico um pouco cansado.
História tem seus momentos confusos.
Algumas missões secundárias simplórias.
9
VICIANTE
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