Análise – Assassin’s Creed Origins

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Humm Assassin´s Creed, vou começar confessando algo para vocês, sempre tive uma relação de amor e ódio com essa franquia. Sim, ela é maravilhosa, seus jogos são repletos de referências bacanas, personagens fictícios interessantes misturados com personificações de figuras históricas reais e isso sempre foi algo muito legal. Em contrapartida, a franquia é irregular, com jogos que oscilam do genial para o medíocre, isso sem contar os inúmeros spin-offs para praticamente todas as plataformas possíveis.

Por este motivo, não estava muito ansioso para este novo game, mesmo depois de alguns gameplays, me sentia uma mulher cansada e frígida, simplesmente não dava tesão. Só que depois de começar o jogo, senti que algo estava diferente, o jogo mudou muito, e a maioria das mudanças trouxeram um novo frescor, uma nova vida e a vontade de explorar o game a fundo só cresceu, em uma temática ainda mais fascinante do que piratas ou templários, cá estou eu de novo explorando o mundo e detonando inimigos com minha hidden-blade.

Esse agito quente que nem areia no Saara, me queima vai! Danada… ordinaria…

Logo no começo do jogo, após uma cena em CG bem interessante, o jogo te coloca dentro de uma tumba, e os primeiros detalhes mostram que o jogo vem com uma pegada bem diferente.

A movimentação mais cadenciada, a escalada simplificada e a opção de acender uma tocha de fogo quando conveniente me fez lembrar alguns bons momentos da série Tomb Raider moderna, e logo percebemos que o jogo bebe de diversas fontes de jogo modernos que deram certos, executando tudo de forma bem competente, e vou falar um pouco mais disso nas próximas linhas.

Nos primeiros momentos, também nos deparamos com as primeiras situações de combate, o que me causou certa estranheza,  pois foi nesse momento que senti que realmente mudaram a mecânica radicalmente. O combate agora tem mais cara de action-rpg, bebendo mais de fontes como Final Fantas XV e Witcher 3, focando mais em esquivas precisas e ataques nas costas do que em contra-ataques constantes, como nos jogos anteriores. Mas reforço, este é um ponto positivo, pois com a evolução do personagem e o ensinamento de novas técnicas, que agora são divididas em uma árvore de habilidades, o combate fica cada vez mais diversificado e interessante, principalmente por permitir que você molde o estilo que mais lhe agrada adquirindo habilidades que caminham para três classes diferentes.

O enredo, assim como o nome do jogo já diz, conta a história da origem da luta entre assassinos e templários, no jogo você encarna Bayek, um guerreiro da elite da época que é forçado a assassinar seu único filho e busca assim vingança contra todos os responsáveis, em uma busca pormatança em todo antigo Egito, que se vê desolado pelo comando de um brutal faraó, que sucedeu Cleópatra.

Um linda e enorme colcha de retalhos para nenhum faraó colocar defeito

Após a primeira cena de combate também nos deparamos com os primeiros cenários abertos do jogo, e meu amigo, que jogo lindo, as cores vibrantes das construções de cor pastel contrastam com as areias douradas, os lagos azuis e esverdeados e um sol escaldante, que brilha forte e só evidencia o quanto generoso é o visual do jogo, destacado pelo oásis que é a primeira cidade do game. Um deslumbre.

O mapa do jogo é enorme, e divide o árido deserto em regiões, e sim, você vai levar muito tempo para explorar cada região, que conta com características únicas como lindos oásis, cidades gigantescas como Alexandria  e longas faixas de deserto com perigos eminentes como tempestades de areia, animais ferozes e bandidos de todas espécies.

Assim como mencionei antes, o jogo não tem vergonha de mesclar diversos recursos de outros games consagrados. As missões agora são variadas e divertidas como em GTA, o sistema de combate e o estilo de progressão da história lembram muito Witcher 3, as várias maneiras de exploração e de cumprir as missões parecem o novo Zelda e o manejo do arco e flecha bebe da fonte de jogos como Tomb Raider e Horizon. Essa diversificação de elementos não é necessariamente algo ruim, pois a Ubi não deixa de entregar um material com o DNA de Assassin´s Creed, já que muitos elementos da série permanecem lá, principalmente na  consagrada mecânica de furtividade, que nada mais é que o jogo de sempre com novos recursos e algumas melhorias.

Uau cara, mas este jogo é animal mesmo hein?

Se existe algo que eu devo destacar neste jogo, além dos detalhes incríveis das esculturas, construções, com certeza é o enorme trabalho que foi feito em torno da fauna do jogo e a importância que os animais tem para a mecânica.

Para começar, no jogo você tem a útil companhia da águia Senu, uma águia de bonelli totalmente jogável, que serve como uma espécie de drone, e também pode adquirir habilidades extras, como desnortear inimigos e encontrar recursos naturais úteis para construção de novas armas.

Mas não é só a águia que brilha, a infinidade e variedade de animais no jogo impressiona, diversas infinidades de pássaros, mamíferos como leões, hienas, hipopótamos, gatos, MUITOS GATOS, cachorros, cervos, isso sem contar os animais aquáticos que vão de répteis, peixes e estrelas do mar. A maioria deles tem alguma utilidade, você pode desenvolver técnicas que permitem que certos animais ataquem os inimigos por exemplo. e isso é muito divertido. Há, e não falei ainda das montarias, de início você tem um camelo, o Andarilho, mas conforme progride é possível montar outros animais, tem até um unicórnio.

Vale destacar também os detalhes não só dos animais, mas também dos humanos, cada NPC tem um rotina dentro do jogo, e se você acompanhar com cuidado, verá que eles não estão lá simplesmente vagando, eles trabalham, conversam, comem e dormem, um detalhe muito legal implementado pelos desenvolvedores.

Uma epopeia longa, muito longa

Origins é realmente um jogo longo, as missões secundárias são bem variadas e contrastam bem com a missão principal, que envolve encontrar velhos conhecido de Bayek em busca de sua vingança pessoal. Em contrapartida o jogo te leva também no mundo contemporâneo para contar um pouco das conspirações envolvendo a Animus.

A narrativa do jogo desta vez é um ponto polêmico do jogos, os diálogos e as expressões não parecem ter tanta vida, e a progressão é arrastada e lenta, um misto com a grandiosidade do mundo, tudo acontece bem devagar, o que para alguns pode ser frustrante, principalmente jogadores casuais, que querem basicamente acompanhar a bos história do jogo.

Muita coisa por vir

Finalizando, fiquei muito feliz com o resultado do jogo, uma grande produção recheada de conteúdo e variedade, sendo este jogo um dos melhores Sandbox da última safra de jogos, o que é um grande feito quando se tem jogos como The Witcher 3,  Zelda Breath of the Wind e Horizon: Zero Down como referência.

No mais, estou ansioso pelo que ainda virá, principalmente o modo educativo que a Ubisoft prometeu para 2018. Com certeza a pausa de dois anos fez  muito bem para a série, e que venha o próximo.

PS: Agradecimentos especiais à Ubisoft pela versão de avaliação do jogo. 

"Maniômetro"

Jogabilidade9.5
Gráficos10
Som9
Diversão9

Prós

  • Mundo vasto e diversificado
  • Modo de combate e progressão revitalizado
  • Missões divertidas
  • Fauna incrível
  • Gráficos fenomenais

Contras

  • Alguns bugs menores
  • Narrativa arrastada
  • Diálogos monótonos
Luiz El Cumbachero
o autorLuiz El Cumbachero
Luiz Eduardo
Baiano de nascença, se a vida se resumisse em comer farofa apimentada e ouvir Pink Floyd já estava de bom tamanho pra mim. Fã de games desde o primeiro contato com o Sonic no Mega Drive, divido hoje a paixão com meu filho Marcos de 5 anos, que já está me dando uma surra nos jogos.